15 junho 2017

[Resenha] (DES) NU (DO) - Thássio G. Ferreira

Título: (DES)NU(DO)
Autor: Thássio G. Ferreira
Páginas: 84
Editora: Ibis Libris
ISBN: 9788578232726
Ano: 2016

Sinopse: Despido de si, o uno é sempre um outro, de maneira que somente a poesia possa deflagrar tal dinâmica de alteração e pró-criação do existente. A razão entra, sim, no cuidado de revelar a própria emoção poética, sem que a aniquile quando consumada na forma-poema. Dessa consciência, Thássio G. Ferreira se vale: maneja ferramentas sonoras, rímicas, rítmicas. Entre aliterações e assonâncias, não joga as palavras, nem somente joga com elas. O poeta se joga, sim, à palavra como quem “se entrega ao sol do mundo”. Prefácio de Igor Fagundes.


O mais interessante ao se ler poemas é a capacidade que cada um tem de interpretar caminhos tão distintos e ainda assim tão pessoais.

(DES)NU(DO), de Thássio G. Ferreira é dessas obras que te permite enxergar com os próprios olhos e ao mesmo tempo entender os sentimentos dele. (DES)NU(DO) aborda as sutilezas de poetas e seus poemas e poesias, suas intensidades, seus desejos subentendidos, sua construção. É sobre a capacidade de enxergar os pequenos detalhes e neles as grandes coisas que temos em nossos corações.

Ler (DES)NU(DO) é se permitir explorar um pouco mais de si mesmo, se envolver pela abertura do poeta e seguir pelo mesmo caminho, entender um pouco mais de si mesmo com pequenas coisas que nem sempre conseguimos notar em nós mesmos.

A capacidade de (DES)NU(DO) em ser intenso e pessoal veio ao meu pensamento quando li um dos poemas do livro, intitulado "Consumição", onde mesmo ao falar de amor e sua não reciprocidade eu pude ver amizades que foram ficando pelo caminho que percorri ao longo da vida, me permitindo aprender com elas, mas estando livre para permitir que outros chegassem e me acompanhassem, 

Consumição

Como se fora uma febre
baixa, que me cozinhasse
todo, pouco
a pouco,
até o torpor
da loucura.

Um mal (estar)
qualquer,
sem lugar certo;
everywhere;
que me consumisse
a latejar
sem nunca,
nunca cessar.

Assim senti
por ti,
anos a fio,
aquele amor
que se esvaiu
quando, sem rir,
tu me disseste
que eu não era
mais o amigo
que tu conheceras;

que eu havia mudado
e deixado de ser
teu pouso
e tua calma.

Dali,
voltei a ser cais,
mas para outros barcos.

8 comentários:

  1. Achei lindo "Consumição" e imagino o quão encantadores devem ser os outros poemas. Ainda não conhecia o outro e sua obra. Achei uma excelente oportunidade de saber mais através de suas considerações.
    Bjim!
    Tammy

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  2. Ola
    Esse não é um gênero que eu leia com frequência, e mesmo assim, infelizmente não fiquei curiosa quanto a este livro em especial. De qualquer maneira, adorei poder conferir suas impressões a respeito. Imagino que deve ser intenso e com várias interpretações, de acordo com cada leitor é claro
    Beijos, F

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  3. Eu não curto o gênero porque é muito difícil eu ser tocada por uma poesia/poema. Mas confesso que Consumição é bem interessante e intenso mesmo.

    Beijos

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  4. Não consigo gostar de ler poesia, apesar de gostar de escrever em certos momentos de emoção, acho que é pela questão emotiva mesmo, mas de resto não me encanta, porque acho que depende muito do momento.

    Greice

    Blogando Livros

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  5. Olá K,
    Conheci esse livro recentemente e gostei muito da premissa, mas não pra mim, pois não curto muito livros do gênero.
    Achei bem bacana você ter lido que se permitir ler esse livro é explorar um pouco mais de você mesmo.
    Sua resenha está extraordinária.
    Beijos

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  6. Oi, K!
    Acredito que já tenha visto resenha desse livro pela blogoesfera. Mas como não curto poemas, não me chamou atenção. :/ Uma amiga gosta bastante, então vou passar a dica para ela. ^^
    Obrigada pela dica!
    Beijão!
    http://www.lagarota.com.br/
    http://www.asmeninasqueleemlivros.com/

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  7. Oie, tudo bom?
    Eu curto ler um poema ou outro, mas não conseguiri ler um livro inteiro recheado deles. Não é uma leitura que me atraia, apesar de ter adorado o exemplo que vc escolheu.

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  8. Oi, tudo bem?
    Sendo sincera, nunca fui muito fã de poemas. Claro que há alguns que eu gosto bastante, mas não o suficiente para me levar a comprar um livro de poesia.
    De qualquer forma, por este poema que você postou, dá para perceber que o autor escreve com muita sensibilidade e que os demais poemas do livro também devem ser muito bonitos. Ainda não é uma leitura que eu pretenda fazer, mas acredito que o livro irá agradar muito quem gosta de poemas.
    Adorei sua resenha!
    Beijos!

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